Angelina Jolie concede entrevista a edição americana da revista L'Officiel

Angelina Jolie: Uma Vida Sem Fronteiras
Com os filhos crescidos e uma nova visão criativa em desenvolvimento, Angelina Jolie abraça uma vida guiada pela arte, pelo propósito e pela liberdade de explorar o que está por vir.
Angelina Jolie senta-se tranquilamente em um cômodo em Los Angeles, a cidade onde nasceu e que, no momento, mal pode esperar para deixar. Está cercada por caixas de mudança, acompanhada à direita por seu amado rottweiler, Dusty, deitado junto à janela, iluminado pelo sol radiante de uma manhã de julho.
“É o fim de uma era para mim”, diz a estrela de cinema e humanitária em uma chamada pelo Zoom. Agora que todos os seus seis filhos são adultos (os mais novos, os gêmeos Knox e Vivienne, completaram 18 anos em julho), Jolie está livre para viver onde quiser. Para a vencedora do Oscar — tão famosa por protagonizar filmes que vão de Garota, Interrompida a Malévola, da Disney, quanto por seu trabalho humanitário, visitando zonas de conflito e chamando atenção para crises de refugiados, além de liderar iniciativas através de sua fundação Maddox, sediada no Camboja — o mundo inteiro é, mais uma vez, seu verdadeiro oceano de possibilidades.
A primeira prioridade é expandir e abrir novas unidades globais do Atelier Jolie, a casa criativa que ela inaugurou em 2023, na antiga casa e estúdio de Jean-Michel Basquiat no SoHo, no centro de Nova York. Em uma tarde chuvosa de julho, véspera da entrevista de Jolie, o ateliê parece aconchegante e acolhedor. Qualquer pessoa pode entrar no Atelier Jolie, que se abre para uma pequena galeria de arte com obras de Bing Lee e Janette Beckman em exibição (além de grafites de parede lindamente preservados do próprio Basquiat). Depois, é possível relaxar no café — onde chefs refugiados criaram um menu que inclui biscoitos ma'amoul sírios e baklava de pistache —, acomodando-se em suntuosos móveis de couro e folheando uma variedade de livros de arte sob uma generosa claraboia.
Quando foi inaugurado, o Atelier foi aclamado como uma estreia de peso no mundo da moda, estreando com uma coleção ready-to-wear desenhada por Gabriela Hearst e se infiltrando no nicho conquistado por marcas como The Row. Desde então, o espaço evoluiu para além do varejo e se transformou em um santuário acolhedor para artesãos e criadores de diversas áreas. A moda, Jolie admite, “nunca foi o meu interesse central”.
“Houve uma grande discussão sobre sustentabilidade”, diz Jolie, cujo estilo pessoal evoluiu ao longo dos anos de um gótico punk para um gótico de couro glamouroso, até chegar ao luxo discreto com traços sutis de gótico, como o fino suéter preto que veste durante nossa entrevista. “Ficou claro para mim que eu não queria incentivar as pessoas apenas a consumir. Meu foco principal é receber visitantes que desejam aprender, criar e estar em comunidade. Qualquer pessoa que contribui comparecendo e visitando o espaço, retribui aos artistas que passam por aqui. Nossas portas estão abertas para todos, e eu amo quando novos visitantes continuam nos descobrindo e se juntando a nós.”
Desde então, o Atelier cresceu e se tornou um polo de residências artísticas, palestras públicas, aulas e propostas como o Tatale, um conceito gastronômico pan-africano criado pelo chef Akwasi Brenya-Mensa. Na noite em que compareci, o menu de vários pratos incluía releituras deliciosas de chichinga beef suya (espetinhos de carne temperados) e cheesecake de chin chin (um biscoito frito tradicional). Novas unidades do Atelier Jolie serão inauguradas antes do fim do ano, adaptando-se para atender às necessidades de cada comunidade local.
Jolie também está animada para ver o lançamento, este mês, de Without Blood, o quinto longa-metragem de sua carreira como diretora. Estrelado por Salma Hayek Pinault e Demián Bichir, o filme é baseado no livro homônimo de Alessandro Baricco e acompanha dois sobreviventes refletindo sobre lados opostos de um conflito através de uma série de monólogos contidos. “No primeiro dia após voltar para casa, eu desabei porque tinha guardado aquelas emoções por muito tempo”, disse Hayek Pinault à L’OFFICIEL em 2025. Mas ela confiou em Jolie, de quem se tornou amiga no set de Eternos da Marvel em 2021, descrevendo-a como uma diretora “gênia” que também escrevia roteiros lindos. “Foi a experiência mais fácil que já tive, memorizar as falas automaticamente, sem esforço.”
Without Blood oferece uma perspectiva diferente sobre a guerra em comparação com os últimos filmes de Jolie, como Na Terra de Amor e Ódio e Invencível, que levam o público para o centro da violência. Este filme é uma narrativa pós-conflito, explorando a realidade — e a possibilidade — do que acontece quando a poeira começa a baixar. “Não termina com um final hollywoodiano”, ela diz. “Mas acho que é confortável para quem gosta de digerir coisas que parecem reais.”
L’OFFICIEL: Vamos falar sobre o Atelier Jolie. O que você acha que deu certo nesses primeiros anos? E o que acabou tendo que evoluir?
ANGELINA JOLIE: Eu não sabia exatamente o que era quando abri as portas. Minha ideia era abrir um espaço e oferecer áreas para diferentes pensadores e criativos. Vi Prune Nourry [artista multidisciplinar francesa] se instalar e transformar o último andar em seu estúdio, além de realizar palestras mensais. Acompanhei os chefs refugiados do Eat Offbeat [projeto nova-iorquino voltado para treinamento de imigrantes] encontrarem diferentes maneiras de levar sua cultura às pessoas diariamente. As coisas ligadas à comunidade — como as palestras, os jantares e o espaço da galeria — pareceram avançar naturalmente mais do que a moda. Oferecer o espaço de forma rotativa para criadores do mundo todo foi mais empolgante do que ter uma loja tradicional aberta diariamente. Um dos nossos primeiros artistas residentes foi a designer têxtil Zolaykha Sherzad, fundadora da Zarif Design, empresa de moda e artesanato sediada em Cabul que reflete a rica herança cultural afegã da tecelagem tradicional de seda, do algodão listrado chapan e do bordado. Todos os produtos são feitos no Afeganistão, dando às mulheres envolvidas a oportunidade de ter um negócio e mostrar sua arte. Em setembro teremos um designer de Ruanda. Estou ansiosa para ver como ele vai transformar o espaço em algo próprio.
LO: Quando visitei o espaço pela primeira vez, a moda era o ponto central; havia roupas em exibição. Mas essa evolução faz sentido.
AJ: Acho muito mais interessante incentivar as pessoas a aprenderem uma nova habilidade, comprarem obras de arte, conhecerem criadores internacionais ou reaproveitarem suas próprias roupas. Você pode levar suas peças ao Atelier e refazê-las, fazer uma aula de costura, coisas assim. Eu mesma aprendi como me relacionar melhor com arte e roupas — fiz serigrafia e um pouco de feltragem. Não tive a oportunidade de morar em Nova York por um longo período desde que o Atelier abriu. Assim que puder estar lá mais, vou ser frequentadora assídua das aulas.
LO: Então, você planeja estar mais em Nova York na próxima fase da sua vida?
AJ: Mais fora dos Estados Unidos, eu acho. A ideia para o Atelier sempre foi ser global; o Brasil pode se tornar o primeiro espaço que abriremos fora dos EUA. A proposta seria visitar diferentes locais ao redor do mundo e conhecer artistas e criadores locais. Vou voltar a fazer mais trabalhos práticos com minha fundação no Camboja e meu trabalho de campo. Não planejo ter uma base fixa. Gostaria de ter uma casa para minha família, um lugar com algumas coisas de mãe e fotos da família. E depois quero ser um pouco nômade por um tempo. Minha casa no Camboja também funcionará como uma residência artística voltada para a cultura khmer durante alguns meses do ano.
LO: Que tipo de cronograma você prevê para as novas unidades do Atelier Jolie?
AJ: Algumas unidades serão inauguradas em breve. Estamos conversando com equipes em Viena e no Camboja. Não há nenhum país no qual eu não consideraria trabalhar. A ideia é que, não importa onde seja no mundo, o espaço seja sempre administrado localmente e os lucros fiquem com eles, já que somos uma organização sem fins lucrativos. Quando trabalhava como diplomata, percebia que havia muito foco em caridade, assistência e ajuda humanitária, e pouco em apoiar negócios e independência. Por isso, eu quis construir um modelo que impulsionasse as carreiras de outras pessoas e a comunidade.
LO: Já existe os eventos gastronômicos. Há outros projetos ou eventos que você espera lançar nos futuros Ateliers?
AJ: Eu vou ficar super empolgada quando vir essas residências artísticas regulares com pessoas de todo o mundo. Um equívoco sobre o Atelier é achar que ele é um espaço privado. Existem coisas lá dentro que são privadas, mas a maioria absoluta é completamente aberta ao público. Todas as aulas, os eventos gastronômicos, algumas palestras, a galeria. Estou ansiosa para ver mais pessoas usando o espaço. E, por ser um coletivo, ele realmente ganha a forma que as pessoas derem a ele. Acho que hoje em dia a pessoa comum consegue notar quando algo é puramente criado por uma marca. Leva um pouco mais de tempo e é mais difícil, mas quando você constrói algo organicamente com amigos de verdade e artistas de verdade, e convida as pessoas a participarem como uma comunidade, o resultado é mais autêntico e um pouco ousado. É algo novo e uma chance de ajudar os outros a empreenderem e compartilharem sua arte. É isso que me entusiasma.
LO: Isso me faz pensar sobre artistas criando algo versus a crescente ansiedade de que tudo eventualmente será gerado por IA. Tenho curiosidade em saber se você gostaria de entrar nessa discussão — por que ainda é tão importante incentivar e valorizar a criatividade humana.
AJ: A realidade do futuro é que haverá todas essas novas tecnologias [como resultado da IA]. Esperamos que elas ajudem na pesquisa do câncer e na educação global a um preço mais acessível. Haverá pontos positivos. Por outro lado, coisas que elas jamais poderão substituir são o toque humano, a conexão humana, a construção de algo com as próprias mãos. Precisamos entender as realidades do que está acontecendo com muitas dessas novas tecnologias, ver como elas afetam nossas vidas e estar ainda mais unidos e participativos no mundo. É isso que significa estar vivo.
LO: Há mais de vinte anos você também dirige a Fundação Maddox na zona rural do Camboja, que é totalmente liderada por moradores locais, com foco em conservação e desenvolvimento comunitário. O que nesse trabalho continua te entusiasmando?
AJ: Isso evoluiu ao longo dos anos. Quando me mudei para o Camboja pela primeira vez, pensei em comprar um lugar e contratar pessoas locais para trabalhar comigo na remoção de minas e em projetos na educação e no desenvolvimento da comunidade. Fizemos isso. Mas logo ficou claro que havia muitos problemas com desmatamento, mineração de pedras preciosas e comércio ilegal de animais silvestres. Então, o projeto se expandiu para o trabalho de conservação ambiental. Estamos fazendo isso há muito tempo. Agora, acho que focar no desenvolvimento e na independência é a próxima etapa, para identificar diferentes oportunidades de negócios e educação para as pessoas da comunidade. Apenas continuar ajudando a desenvolver e a crescer.
LO: Eu gostaria de perguntar sobre suas visitas aos refugiados também. Sei que agora você faz isso de forma independente, trabalhando com organizações locais, ao contrário de quando era Enviada Especial da ONU. Como tem sido essa transição?
AJ: Honestamente, não mudou muito. Sempre paguei minhas próprias despesas — mesmo durante meus anos na ONU, minhas viagens nunca foram responsabilidade da agência. O mesmo vale para hospedagem, segurança, nada disso. Nunca quis que uma agência arcasse com esse peso para mim. E os relacionamentos ainda existem, com pessoas da ONU, da Cruz Vermelha, da INARA [Rede Internacional de Ajuda, Socorro e Assistência] e de tantas organizações locais que realizam esse trabalho no terreno. Mesmo quando eu estava no ACNUR [Agência da ONU para Refugiados], o que eu mais me importava era entender a realidade local. O ACNUR é como um guarda-chuva, uma agência de proteção, então seu trabalho é garantir as permissões legais que permitem que você esteja presente em um país. Isso significa navegar por estruturas legais, proteções, negociações intermináveis com governos. É um trabalho importante, mas um tipo diferente de trabalho. Embora eu tenha preocupações reais com certos aspectos do trabalho da ONU, continuo profundamente convencida de seu papel vital na proteção da dignidade humana, na prestação de ajuda emergencial àqueles que não têm a quem recorrer e na defesa dos direitos humanos quando ninguém mais o faz. E, por fim, em unir as nações na busca pela paz. Uma paz que, com tanta frequência e de forma tão trágica, ainda nos escapa. Se ao menos vivêssemos de acordo com os princípios da Carta da ONU e se ao menos essas palavras fossem acompanhadas de ações, acredito que o mundo seria um lugar muito melhor.
LO: Como você escolhe suas próximas viagens? Vi que você foi para Ruanda recentemente.
AJ: Depende de onde você sente que pode ser útil. Shiloh e Pax estiveram comigo em Ruanda. Nós nos encontramos com a Legacy of War Foundation e com as mulheres agricultoras que participam do projeto Land for Women, sobre o qual eu já tinha ouvido falar há muito tempo. Foi maravilhoso ver iniciativas que realmente estão dando certo. Parece bobagem dizer isso, mas acho que as pessoas ficam muito sobrecarregadas diante da enorme quantidade de crises globais. Parece impossível de enfrentar. Quando conseguimos destacar programas ou líderes locais e enxergar mudanças e um caminho para o progresso, isso é muito importante. Estamos analisando alguns países com base nas necessidades: um vive uma crise atual que precisa de atenção, e o outro enfrenta uma emergência um tanto esquecida, mas que é fundamental manter no radar. A razão pela qual digo que tenho a honra de trabalhar com refugiados é porque eles são, de fato, algumas das pessoas mais incríveis que já conheci. Meus amigos mais próximos. Tão resilientes, tão extraordinários. Eles, junto com meus filhos, me ensinaram as maiores lições da minha vida.
LO: Eu adoraria falar sobre Without Blood, o filme que você escreveu e dirigiu sobre as repercussões da guerra. É realmente lindo. Como foi o seu processo de escrita para adaptar o livro?
AJ: Eu me mantive muito fiel a um livro lindamente escrito. Senti que estava mais editando e dando forma do que escrevendo de fato. Meu primeiro filme, Na Terra de Amor e Ódio, eu escrevi a partir de uma página em branco. Meu processo tem sido um pouco estranho, porque comecei a escrever quando já tinha todos os meus filhos e costumo escrever sobre conflitos. Eu me pegava no meio de uma aula de arte infantil ou de karatê, sentada em um canto, fazendo pequenos esboços e anotando pensamentos em um caderno. Não havia um espaço para me desligar completamente de tudo e escrever. Eu encontrava algumas poucas horas aqui e ali. Agradeço por você ter dito que gostou; sei que não é um filme fácil de assistir. Foi uma escolha consciente me manter fiel ao livro. O período pós-conflito é realmente difícil. O filme é menos sobre perdão e mais sobre honestidade. Discutir o perdão quando há negação do dano não traz cura. O que eu adorei em Without Blood é que ele aceita se sentar e ouvir como as ações dele mudaram o rumo da vida dela. Eu tive esse tipo de cura com o meu pai. Embora tenhamos visões diferentes sobre muitas coisas, conseguimos ter conversas honestas e encontrar a paz. Espero que isso se estenda a outros aspectos da minha vida.
LO: Você costuma fazer filmes sobre conflitos. Tenho certeza de que você já deve ter ouvido antes que todo diretor, até certo ponto, faz o mesmo filme repetidamente.
AJ: Isso é interessante. Uma das coisas que o filme diz é que retornamos ao ponto de ruptura. Acho que isso é verdade para muitas pessoas. Elas podem nem perceber por que se comportam de determinada maneira ou o que estão buscando, mas algo em algum momento as transformou. Grande parte da vida é tentar recolocar essa peça ou entendê-la. Para mim, comecei a viajar para zonas de guerra quando tinha 23 anos. Provavelmente não percebi o quanto isso me impactou. Chorei muito no primeiro ano. Fiquei chocada com o que eu não sabia. Mudei como pessoa. Trabalhando desde 2001 na fronteira do Afeganistão e depois vendo o retorno do Talibã, vendo as coisas retrocederem, e a realidade de tantos amigos… Eu tinha uma escola lá. Talvez seja por isso que quero focar tanto em soluções, porque acho que todos nós estamos bastante sobrecarregados por não ver progresso e por ver as coisas piorarem. Quando comecei, havia 40 milhões de pessoas deslocadas; agora são 115 milhões. Isso me afetou. Meu primeiro filme foi sobre o início de uma guerra. Without Blood é um exame de quando a guerra termina. Quando termina, como nos sentimos em relação a ela? Não termina quando as bombas cessam.
LO: Estou curiosa para ver a próxima fase no ciclo de vida dos seus filmes.
AJ: Eu também. [Risos] Não sei o que vai acontecer. Espero que seja pós-conflito.
LO: Falando em cinema, seus filhos Maddox e Pax estão trabalhando como assistentes de direção. Como eles foram parar nessa função?
AJ: Acho que se você tem qualquer interesse em trabalhar com cinema, você precisa fazer parte da equipe de produção, encarar o trabalho duro e conhecer todos os diferentes departamentos. Eles trabalharam em alguns filmes nessas funções, e ambos estão fazendo outras coisas também: Maddox está focado em ser piloto, e Pax tem a fotografia dele, mas acho que ele realmente tem interesse em cinema. Obviamente é maravilhoso para mim estar perto deles, mas eu sou apenas uma mãe querendo ficar perto da sua família.
LO: Você disse que, enquanto filmava Maria [o filme de 2024 que acompanha a história de vida da cantora de ópera Maria Callas], percebeu que nunca tinha chorado de verdade na frente dos seus filhos. Houve alguma revelação semelhante sobre a maternidade no set de Without Blood?
AJ: Para deixar claro, acho que nenhuma mãe jamais deixou de chorar na frente dos filhos. Se eles me dão um cartão de aniversário, eu choro. [Risos] Sou meio famosa por chorar à toa. Mas aquela dor emocional profunda e dilacerante é, com certeza, o que eu escondia dos meus filhos até Maria. É angustiante ver alguém de quem você gosta sofrendo tanto. Não acho que os expus [a nada novo] neste filme. Eles me conhecem muito bem. Para o bem ou para o mal, eles conhecem todos os meus lados. Tivemos filmagens maravilhosas. Estávamos na Itália. Estávamos no mesmo lugar, mas cada um tinha seu próprio espaço, então não estavamos morávamos juntos em uma casa de família. Estávamos vivendo em uma dinamica no estilo alojamento e todos estavam explorando a Europa, então foi muito bom.
LO: Falando em seus filhos, sei que você visitou sua filha, Zahara, com frequência no Spelman College antes de sua formatura em maio. Gostaria muito de ouvir sua perspectiva sobre a experiência em uma HBCU (Universidade Historicamente Negra).
AJ: Eu me senti profundamente honrada por fazer parte disso. Eu já sabia que ela pertencia àquele lugar e que era um espaço especial para ela. Não imaginava que seria tão bem recebida, instruída e apoiada como fui. Não existe lugar melhor para ela — aquilo realmente a transformou e agora faz parte da nossa família. Inclusive, me chamaram de lado quando ela se tornou membro da AKA [Alpha Kappa Alpha, a irmandade historicamente negra]. Eu não sabia exatamente o que isso significava, mas me explicaram que era para a vida toda. É um lugar extraordinário. Nossa família se sentiu muito orgulhosa dela, muito honrada por fazer parte disso e por nos sentirmos acolhidos em algo tão especial, único e importante.
LO: Visto de fora, parece que você criou indivíduos autênticos.
AJ: Eles são definitivamente indivíduos autênticos. Isso me deixa muito orgulhosa, porque uma das coisas mais importantes, eu acho, é basicamente não atrapalhar o caminho deles. Como mãe, você tenta fazer muitas coisas, mas também tenta não interferir no desenvolvimento desses seres humanos que tem uma vida separada da sua e tanto potencial. Você quer ter certeza de que está apoiando-os.
LO: Tem alguma coisa que você esteja animada para fazer agora que eles são todos adultos?
AJ: Eu realmente amo e estou ansiosa por mais conexão e comunidade. Não sou o tipo de pessoa que tira férias, faz compras ou coisas assim. Eu prevejo mais trabalho de campo, mais viagens e simplesmente estar pelo mundo. Pegar minha moto de volta, voltar a pilotar um avião. Sei lá. É definitivamente isso que meus filhos querem! Eles tiveram a mãe deles quando eu precisava ser mãe. Agora, eles adorariam que eu ligasse para eles da Tunísia, tendo acabado de pousar um avião para me encontrar com artistas locais. Eu concordo que isso seria maravilhoso.
Créditos da produção editorial:
Fotografia: Norman Jean Roy
Produção de Moda: Carolina Orrico
Cabelo: Renato Campora (Kalpana) usando JOICO
Maquiagem: Raoul Alejandre (MMXX Artists)
Manicure: Alex Jachno usando Dior
Design de cenário: Brittany Porter
Produção artística: The Morrison Group
Assistentes de fotografia: Paul Gilmore e Eugenio Ruiz
Assistentes de cenário: Sunny Mills e Ethan Kankula
Assistentes de produção: Aaron Johnson e Avedis Oksozian
Assistentes de styling: Melissa Gordillo e Natalia Zamudio
Assistentes de set: Caroline Hui, Charlotte Hui e Chloé Hui
Fonte: L'Officiel
Comentários